Plural inicia 2018 como protagonista no setor de Downstream

Setor de Conveniência se destacou em 2017 e Movimento Combustível Legal segue firme no combate à concorrência desleal

Entrevista com Presidente Executivo da Plural, Leonardo Gadotti.

Após tantos anos atuando como Sindicom, quais os motivos para o surgimento da Plural?

A Plural é uma evolução do Sindicom e tem como objetivo garantir que o processo de transformação no ambiente de negócios se dê de forma transparente e previsível, atuando também em busca de melhorias regulatórias e legislativas, geração de conhecimento e compartilhamento de melhores práticas. O setor de downstream passa por mudanças estruturais significativas inéditas no Brasil e apresenta um cenário de muitas oportunidades. Estamos caminhando para ter mais previsibilidade. Para que possamos participar ativamente desse período de mudanças, foi preciso que nós nos reinventássemos. Essa reinvenção fica evidente tanto no novo sistema de governança, que funciona através de câmaras setoriais, quanto, por exemplo, na completa modernização do nosso Anuário, agora 100% digital, muito mais dinâmico e visualmente atraente.

Qual é a sua avaliação sobre o desempenho do mercado de combustíveis em 2017?

Após a demanda caindo intensamente por dois anos consecutivos, o mercado começou a se recuperar no ano passado, crescendo 0,6% em relação a 2016. Ao final de 2017, o crescimento das vendas de gasolina foi de 2,6% em relação ao ano anterior, ao passo que as vendas do etanol hidratado recuaram 6,5%. Os efeitos sobre óleo diesel foram menores, pois os referidos tributos exerceram um impacto mais leve em seu preço. As vendas de combustíveis de aviação também caíram levemente, enquanto as de óleo combustível e, principalmente, GNV, avançaram.

Chegaram a 86,9 bilhões de litros as vendas de combustíveis das associadas à Plural. Vale destacar que vínhamos de uma queda muito grande nas vendas de 2015 para 2016, de 9,6%. Em 2017 houve um bom “freio” nesse cenário, e o recuo foi de apenas 0,8%. Para o ano que vem a expectativa é a de que quedas passem a fazer parte do passado.

Falando especificamente sobre o setor de Lubrificantes, pode-se dizer que o panorama hoje é melhor do que o de 2016?

Sem dúvida. O mercado de lubrificantes brasileiro vivenciou uma retomada de crescimento, andando também para a frente com a elevação do nível mínimo de qualidade dos óleos graças à Resolução ANP 22/2014. De acordo com a Agência, em 2017 as vendas de lubrificantes acabados cresceram 2,6%. É importante destacar que esse avanço tem relação direta com o fato de agentes regulados terem passado a declarar dados à ANP por meio do Sistema de Informações de Movimentação de Produtos – o SIMP.

Foco na uniformização do ICMS

“Em 2018, um dos principais focos do Movimento é mudar esse panorama com a implementação da monofasia do ICMS, para que haja um valor único para cada produto em todo o País.”

Os resultados do mercado de Conveniência chamam a atenção. O que pode ser considerado destaque nesse setor em 2017?

O canal de lojas de conveniência realmente subiu degraus no ano passado, com um faturamento de R$ 7,4 bilhões. Se esse crescimento foi de pouco mais que 3% sobre 2016, entre as associadas da Plural o avanço foi ainda maior, chegando a 4,6%. As associadas cresceram na participação em número de lojas e o faturamento médio por lojatambém subiu. Resumindo, foi um ano de grandes notícias.

Sobre tendências e destaques, 2017 reforçou o valor do Food Service; a busca cada vez maior por bebidas e alimentos saudáveis; a importância de investimentos em tecnologia online e nos pontos de venda e o constante trabalho em benefício de soluções logísticas de maior eficiência.

Quanto ao Movimento Combustível Legal, 2017 foi um ano de muita ação e resultados. Qual é o foco atual da iniciativa e o que se espera atingir no curto prazo?

Em 2017, o Movimento cresceu e ganhou ainda mais força. Prova disso foi o Projeto de Lei do Senado (PLS) 284/2017, apresentado pela senadora Ana Amélia, que vai permitir caracterizar a figura do devedor contumaz. Foi um ano em que trabalhamos firme para que a sociedade e o governo entendessem a diferença entre os devedores eventuais de tributos, aqueles que às vezes até por problemas de fluxo de caixa acabam não pagando seus impostos, e os contumazes, que fazem da sonegação uma estratégia de negócio.

Além da busca pela aprovação do PLS, temos encarado outro desafio. Há uma grande disparidade das alíquotas de ICMS entre os Estados, o que atinge diretamente os valores dos impostos, principalmente quando falamos de gasolina e etanol. Os valores praticados em cada unidade da Federação variam muito, o que serve como verdadeiro incentivo a práticas como concorrência desleal, sonegação de tributos e adulteração de produto, isso sem falar das fraudes metrológicas e até do roubo de cargas. Em 2018, um dos principais focos do Movimento é mudar esse panorama com a implementação da monofasia do ICMS, para que haja um valor único para cada produto em todo o País.

Por fim, o que pode ser dito sobre expectativas para 2018? Quais são os principais objetivos da Plural no ano corrente?

A Plural lançou, em 6 de abril, uma campanha informativa com o objetivo de esclarecer a população sobre os impactos dos impostos no preço da gasolina. Com o mote “Preço da gasolina. O problema não é o posto. É o imposto”, a campanha aborda, de forma educativa, a complexidades do sistema tributário no Brasil, que traz custos enormes, cria uma concorrência desleal, estimula sonegação e adulteração no setor, além de inibir investimentos no país. Seguimos confiantes também na implementação da monofasia que é um dos nossos principais desafios em 2018. Queremos dialogar cada vez mais com a sociedade e o governo. A missão da Plural, vale sempre reforçar, passa por obter um papel de protagonista no setor e garantir um ambiente de negócios baseado em equilíbrio, competitividade e transparência. Seguiremos trabalhando nesse sentido.